A democracia verga, mas não quebra!

A democracia verga, mas não quebra!

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Quer saber?! Que me importa se deu segundo turno! Não, não estou diminuindo os fatos ou exercitando um otimismo ingênuo. Acontece que, pouca gente já se deu conta, diante desse resultado o Brasil foi parar no centro do palco. Pois é.

É preciso entender que a expansão e a disseminação da ultradireita desconforta o planeta, com todas as lembranças e memórias nefastas que recortam a Segunda Guerra Mundial. Todos os seus discursos e plataformas indigestos e desumanos. Toda a sua barbárie que tenta sufocar os pilares democráticos.

Caro (a) leitor (a), o mundo entre 1914 e 1945, ou seja, no período que abarca a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, tem a dimensão exata do que foi experienciar o cotidiano desses acontecimentos. Tanto que, principalmente na Europa, a historicidade desse tempo é contada e recontada ao longo das gerações para não se deixar esquecer.

Então, retornando ao século XXI, com todas as suas investidas fascistas e neoimperialistas, a ultradireita desperta uma legião contraria às suas aspirações em tomar de assalto o planeta. Como dizia Michel Foucault, filósofo e historiador francês, “Onde há poder há resistência”. Simples, assim. De modo que, no século XXI, essa premissa se manifesta fortemente nas tensões globais envolvendo o antifascismo e o anti-imperialismo.

Quem diria, não é mesmo?! O Brasil não está só. Depois do seu retorno triunfal ao cenário diplomático mundial, se apropriando do seu protagonismo genuíno, consolidado pela participação consistente nos BRICS, ele se mostra como um bastião de resistência fundamental. Por isso, todos os olhos do mundo se voltam para ele e estendem seu apoio.   

Agora, não apenas os fã-clubes e comunidades digitais (fandoms) de artistas nacionais, como Anitta e Luísa Sonza, se engajam na campanha do segundo turno em favor da democracia e contra o estado de barbárie que deseja implementar a ultradireita.

Também os administradores dos fã-clubes dedicados a Beyoncé, Taylor Swift, entre outros, abriram seus canais de comunicação para divulgar materiais da campanha de Lula, informar eleitores indecisos e incentivar o comparecimento às urnas no dia 25 de outubro.

O manifesto esclarece que a mobilização é organizada de forma autônoma pelos administradores das comunidades de fãs em defesa da democracia, não significando necessariamente que todos os artistas citados tenham declarado apoio individual à candidatura.

Entretanto, a iniciativa não deixa de lançar um canhão de luz gigantesco sobre os riscos que a democracia está correndo, não só no Brasil, impondo a necessidade de união pela democracia.

Sim, porque a ultradireita se apropria de todos os demais vieses direitistas para se tornar hegemônica e suficientemente capaz de estabelecer o seu populismo e polarização, fazendo com que suas lideranças usem a divisão social para enfraquecer o contraditório, façam do adversário político um inimigo existencial, desacreditem na alternância de poder para se perpetuarem de forma recorrente.

Tendo em vista de que esses são tempos altamente tecnológicos, a ultradireita utiliza, então, como estratégia de desinformação as redes sociais. Seja pelos algoritmos potencializam mentiras e teorias conspiratórias. Seja pelo sistemático questionamento em relação à integridade dos processos eleitorais. Seja pelo implacável desgaste contra a confiança pública na imprensa livre.

Porém, enquanto está ensimesmada na sua vaidade narcísica, ela acaba deixando de perceber como o antifascismo e o anti-imperialismo do século XXI atuam como as contraforças diretas ao seu pseudopoder. Eles se organizam tanto em movimentos de rua quanto em redes digitais, coletivos de checagem de fatos, defesa dos direitos humanos e frentes amplas democráticas.

De modo que emergem assuntos extremamente desconfortáveis para o fascismo ultradireitista como a defesa de povos indígenas contra o avanço de mineradoras estrangeiras, os movimentos por soberania, a segurança alimentar, a busca por moedas alternativas para fugir do domínio do dólar, e o fortalecimento de blocos regionais que buscam um mundo multipolar.

Portanto, caro (a) leitor (a), o Brasil não está só, como já esteve em algum momento do seu passado. O Brasil aprendeu o que é ter vez e voz no mundo. Aprendeu a se fazer respeitar.

Sendo assim, no cenário internacional do século XXI, o protagonismo brasileiro se fortalece não somente por uma onda de manifestações contundentes contra o avanço do fascismo e do neoimperialismo, representado por pressões hegemônicas e sanções unilaterais de elementos da ultradireita; mas, pela força do espírito democrático global que crê na autodeterminação dos povos como o caminho para potencializar o multilateralismo.