A humanidade e sua comoção seletiva
A humanidade e sua comoção seletiva Por Alessandra Leles Rocha Infelizmente, observando o fluxo da historicidade humana, cada vez mais me convenço de que o instinto nato de sobrevivência da espécie não dispõe, na verdade, de uma relação direta com o sentimento de comoção. Apesar de a empatia e a solidariedade terem sido mecanismos fundamentais para a manutenção do Homo sapiens na Terra, a história, de fato, demonstra que essas emoções costumam operar de forma limitada e enviesada. De modo que, diante de tragédias naturais ou antrópicas, o que se percebe é que a comoção se mostra totalmente assimétrica. Isso significa que a indignação pública, a empatia e a solidariedade são despertadas de forma desigual, ou seja, dependendo de quem são as vítimas, onde o evento ocorreu ou de como a mídia ou o contexto tratam o assunto. Esse comportamento, então, revela vieses inconscientes e escolhas, muitas vezes, calculadas. Começando pelo fato de que as pessoas tendem a s...





