Os números... As prioridades...
Por
Alessandra Leles Rocha
Sempre pensei que
números constituem uma escala de prioridades, a fim de facilitar a organização
e a tomada de decisões adequadas e eficientes.
Então, se traçarmos
um breve panorama numérico do Brasil veremos nesse momento uma realidade de 11,8%
de desempregados e 41,4% de pessoas na informalidade 1.
0,9% de crescimento
econômico em 2019 e estimativa de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020,
segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) 2.
79º lugar no Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH) e 0,545 na análise do Coeficiente de Gini 3.
68ª posição geral no
Ranking Mundial da Educação (dados de 2015), no Programa Internacional de Avaliação
de Alunos (PISA), o que significa mais detalhadamente que o país ficou na 61ª
posição em Leitura, 65ª posição em Ciências e 67ª posição em Matemática. Etc.etc.etc.
Como se vê, com
apenas esses números já se pode compor uma escala de prioridades bastante
significativa, ou seja, que aponta para as demandas que precisam ser
efetivamente trabalhadas de modo a tornar realidade o desenvolvimento e o progresso
do país.
Trata-se de números
que esmiúçam os desafios e as mazelas, que explicam as fronteiras e limites
para as diferentes formas de desigualdade, que oportunizam a reflexão em torno
das perspectivas e possibilidades reais de transformação.
Mas, para que o
pensamento ultrapasse a linha abstrata da imaginação e alcance a ação é
imperioso querer. Querer enxergar. Querer fazer. Querer mudar. Querer criar. Querer...
Afinal de contas, nenhum número é capaz, sozinho, de realizar um trabalho dessa
grandeza.
Diante dessa
constatação pura, é impossível não chorar, não sentir um profundo pesar. A
tristeza que se materializa nas notícias não traz alento, não sinaliza uma preocupação
efetiva em relação aos mais de 210 milhões de brasileiros; lembrando que destes,
1% ganham 34 vezes mais do que 50% da população total.
A impressão que se
tem é de que a verdade pode se esconder sob um véu de invisibilidade e
indiferença, em um modus operandi que
só faz acentuar o grau da sua perversidade.
Entretanto, eis que
de repente ouvem-se rumores, falas estranhas que desalinham os anseios de
perspectivas por dias melhores. Que cerram os olhos para as estatísticas. Que rangem
os dentes com uma fúria inexplicável. Que querem dissoluções ao contrário de
soluções. Que confabulam a guerra ao invés da paz. Será que a contradição começa
a se desenhar, a se escrever no ar?!
É como disse
Nicolau Maquiavel, em O Príncipe, “Todos
veem o que você parece ser, mas poucos sabem o que você realmente é”. Então,
num piscar de olhos, os discursos tornam-se apenas discursos, palavras soltas
ao vento. O dizer e o fazer não irão se completar, pois alguns não querem que
esse objetivo seja cumprido.
Dessa forma, enquanto
alguns enxergam a escala de prioridades dos números, com clareza e nutrem fiapos
de esperança no futuro, arregaçam as mangas em favor disso, outros poucos, simplesmente,
a não enxergam e deslocam o seu foco a outras prioridades oriundas de outros números
e valores. O que esses poucos querem é desacreditar os números que sustentam as
verdadeiras prioridades e obscurecer o pensamento autônomo, crítico e reflexivo dos demais.
Então, ao pensarmos
sobre tudo isso, a conclusão que se chega é que “a única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível”,
ou seja, “você não deve viver a vida como
outras pessoas esperam que você viva; tem que ser sua escolha, pois quando
estiver lutando, você estará sozinho...” 4.