Crônica de Quinta!!!
Recomeçar...
Por
Alessandra Leles Rocha
Se na vida a morte é uma certeza
inconteste, recomeçar também é. Na efemeridade do mundo Pós-moderno, onde a
velocidade parece se materializar nos mínimos detalhes do cotidiano, abrir os
olhos pela manhã é mais do que nunca um recomeço.
Por escolha ou por imposição das
conjunturas, recomeçar é lei que impera sobre a nossa evolução. Alguns não se
incomodam. Outros fazem disso um imenso cavalo de batalhas. Mas, a verdade é
que os recomeços não são um zerar do jogo para iniciar uma nova partida. Não. Recomeços
trazem consigo bagagens importantes, alicerces que darão sustentação as
promessas do amanhã. Recomeços têm efeito cumulativo.
Ainda que um frio na barriga seja
a primeira sensação experimentada, recomeçar tem lá a sua graça, a sua
expectativa de coisa nova. E isso carrega as energias que, porventura, possam
andar em baixa em razão da mesmice cotidiana. Recomeços nos fazem sentir mais
jovens, mais inteiros, mais plenos. Olha que eu não tinha essa dimensão até
experimentar na prática.
Sempre fiz da minha vida um script
a ser seguido meticulosamente. Acreditava que para alcançar a felicidade,
aquele pote de ouro encantado no fim do arco-íris, tinha que trilhar um caminho
bem planejado, não me deixando desviar pelos atrativos e tentações que pudessem
surgir. Então, eis que de repente fui surpreendida. O belo roteiro se desfez
diante dos meus olhos, me deixando atônita pelo caminho, durante um amargo período,
no qual ansiava por saber aonde tinha errado, dispensando a compreensão de que não
há certo ou errado, há escolhas. Nesse momento, o recomeçar se descortinou.
Do fundo da alma os mapas a serem
seguidos se afloravam. A vontade fortalecia a coragem de ousar, de se desafiar,
de se colocar em outro patamar de ação. O recomeçar dava asas a uma viagem de
autoconhecimento indescritível, inimaginável. Recomeçar para ser outro, embora
sempre o mesmo. Recomeços são as rupturas mais sublimes do imobilismo porque,
talvez, sejam eles os verdadeiros pontos de metamorfose humana.
Recomeçar é ampliar as fronteiras,
os limites, as potencialidades; afinal de contas, ninguém nasceu para se
limitar a um único papel, a viver a mesma vidinha blasé do início ao fim. A vida
precisa de algo que nos surpreenda nos arrebate nos faça enxergar o mundo por
outras lentes. Charles Chaplin dizia “falar
sem aspas, amar sem interrogação, sonhar com reticências, viver sem ponto final”.
Tudo isso a meu ver significa agarrar a nossa identidade, o nosso protagonismo pelas mãos em cada
recomeço que surgir diante do nariz. Pode ser a cada manhã. Ou a cada data
importante. Ou a cada momento difícil. Ou... Ou... Afinal, recomeçar é colocar
toda a coragem à prova e renovar votos em busca da felicidade; e quem não quer
ser feliz, pelo menos um pouquinho?!