Acorda, brasileiro (a)!
Acorda,
brasileiro (a)!
Por
Alessandra Leles Rocha
A defesa da soberania e da
democracia nacional não é uma questão subjetiva! São questões que afetam
diretamente o desenvolvimento e o progresso do país e, por consequência, o seu,
o meu, o dele (a).
Sim. Quando as instituições
democráticas são sólidas e garantem que as regras do jogo sejam claras, isso
atrai investimentos internos e externos, gerando empregos e inovação.
Isso inclui a presença de investidores
nacionais e estrangeiros, os quais têm a garantia de que os contratos assinados
serão cumpridos, sem quebras unilaterais por parte do governo.
A certeza de que os bens, terras
e empresas não serão confiscados arbitrariamente, estimulando o aporte de
grandes volumes de capital.
A proteção sólida à propriedade
intelectual oferece às empresas a confiança necessária para investir milhões em
pesquisa e desenvolvimento, gerando amplo desenvolvimento científico e tecnológico.
Desse modo, com o menor risco
associado ao país, os juros tendem a cair e o crédito fica mais barato, facilitando
a construção de fábricas, infraestrutura e expansão de frentes de serviço.
O que permite às empresas globais
optarem por instalar seus centros de operação em locais com estabilidade
institucional, ou que geram empregos diretos e desenvolvem toda a cadeia de
fornecedores locais.
Nesse contexto, então, a
soberania permite que a nação formule políticas públicas, industriais e
ambientais para seus próprios interesses estratégicos, sem a submissão cega derivada
da pressão dos interesses estrangeiros.
Porque o Estado tem a palavra
final sobre suas leis, recursos e investimentos, sem necessidade de autorização
externa. Na prática, essa autonomia se manifesta por meio de mecanismos
específicos em cada setor.
Seja pelo fato de que o Estado
pode usar bancos públicos para financiar setores estratégicos com juros
subsidiados.
Seja desenvolvendo tarifas
alfandegárias ou incentivos fiscais para proteger a indústria nacional da
concorrência desleal estrangeira.
Seja estabelecendo exigências
legais para que grandes projetos utilizem uma porcentagem de insumos e mão de
obra local.
Seja definindo as regras de como
explorar e preservar suas florestas, águas e minerais, equilibrando o
crescimento econômico com a sustentabilidade.
Seja criando leis ambientais e de
zoneamento econômico que reflitam a realidade e as prioridades sociais do
próprio país, e não metas impostas de fora.
Seja arrecadando impostos e
decidindo se o orçamento vai priorizar áreas como saúde, educação ou segurança
nacional.
Seja garantindo estoques
reguladores de alimentos ou controlando os preços da energia para proteger a
população de crises globais.
Assim, em termos da democracia,
ela assegura canais de participação popular e fiscalização, permitindo que o
orçamento e as riquezas nacionais sejam distribuídos de forma a financiar
serviços essenciais, como saúde, educação e segurança.
De modo que a população e a
sociedade civil organizada participam diretamente da elaboração das leis
orçamentárias, a partir de debates abertos antes da aprovação de planos
orçamentários, onde a manifestação popular pode exigir prioridades para seus
bairros e regiões.
Em nível municipal, essa práxis permite
que a comunidade vote diretamente em quais obras ou serviços a verba pública
deve ser aplicada.
Vale ressaltar que a Constituição
de 1988 estabelece pisos mínimos obrigatórios para que os governantes não
possam zerar os investimentos em áreas críticas.
Por isso, a União, os Estados e
os Municípios são obrigados por lei a destinar porcentagens fixas de suas
receitas líquidas de impostos exclusivamente para financiar a Saúde e a
Educação.
Daí a importância da democracia para
garantir a transparência e o direito de fiscalizar onde o dinheiro público está
sendo gasto. Como acontece, por exemplo, com os grupos formados por membros do
governo e da sociedade civil como o Conselho Nacional de Saúde ou Conselhos de
Educação que gerenciam, fiscalizam e aprovam a aplicação das verbas.
Bem como, com as ferramentas
digitais que permitem a qualquer cidadão monitorar receitas, despesas,
contratos e licitações do Estado. Portal da Transparência do Governo Federal.
Tesouro Transparente e Siconfi.IA. Portais de Transparência Estaduais
e Municipais. Alice (Analisadora de Licitações, Contratos e
Editais), criada pela Controladoria-Geral da União (CGU). Gasto
Brasil. De Olho em Você.
Além disso, o cenário democrático
facilita a percepção e a compreensão de que o orçamento público não é definido
de forma autoritária pelo governante, ou seja, as peças orçamentárias
fundamentais, como o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), precisam ser debatidas e votadas por
deputados, senadores e vereadores. Como esses parlamentares dependem do voto
popular para se reeleger, há um flagrante peso da opinião pública sobre os seus
trabalhos.
Portanto, a defesa da soberania e
da democracia precisa que todos os cidadãos assumam a responsabilidade cívica de
defendê-las; pois, a sustentabilidade de uma nação democrática e soberana não
depende de lideranças messiânicas, mas sim do engajamento coletivo e das
instituições.
O que significa o exercício do
voto consciente, do acompanhamento do trabalho dos representantes político-partidários
eleitos, da fiscalização dos gastos públicos, do respeito às leis, à separação
dos poderes e aos direitos humanos fundamentais, e, principalmente, do debate
público baseado em fatos, na tolerância à pluralidade de ideias e no combate à
desinformação. Algo que transcende, então, aos partidos, aos governantes ou quaisquer
outras figuras públicas individuais.
Não nos esqueçamos das palavras
de Marilena Chauí, escritora e filósofa brasileira, “A democracia é
atividade criadora dos cidadãos e aparece em sua essência quando existe
igualdade, liberdade e participação”, conectando-se diretamente à defesa da
soberania nacional para garantir que o poder de decisão sobre o país pertença
genuinamente ao seu povo.
Nesse sentido, então, a igualdade
garante que todos os cidadãos tenham o mesmo peso e voz nas decisões políticas,
impedindo que interesses externos ou elites econômicas monopolizem os rumos da
nação.
Enquanto, a liberdade garante que
a sociedade civil possa se manifestar, escolher seus representantes e definir
os destinos do país de forma autônoma, livre de dominações estrangeiras ou
tutelas autoritárias.
Por isso, quando a população participa ativamente da vida pública, ela constrói e protege o projeto de nação, fortalecendo o Estado para atuar contra o enfraquecimento de sua independência política e econômica, em decorrência das investidas neoimperialistas que rondam o mundo contemporâneo.